quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pequena história do Grupo Flor-de-Lis

Da direita para a esquerda = Nel Andrade, António Andrade, José T, Maurício,
Armindo Mano, Custódio, Vitorino Dias, João Castro, Ilídio.
Decorria o ano de 1966 quando alguns de nós pensamos formar um grupo musical ligado ao nosso Agrupamento.
É justo referir que os verdadeiros obreiros deste grupo foram o Ilídio e o Nél Andrade este último infelizmente já falecido, que durante muito tempo no fim dos seus trabalhos se dirigiam á casa do Sr. Alberto Lobo, no lugar do Barreiro, para com ele aprenderem a tocar viola. Começou este grupo por cantar nas festas de campo (Acampamentos) onde éramos muito bem recebidos, e daí a passarmos ás luzes da ribalta foi um pequeno passo. Recordo que ainda antes da nossa estreia, existia dentro do nosso Agrupamento uma ou outra pessoa que não só pensava (mas dizia) que o grupo só serviria para desprestigiar o escutismo, o que para nós era doloroso, pois o nosso objectivo era outro como mais tarde vieram a constatar. E assim com a ajuda e o apoio do Chefe Martins que sempre acreditou em nós e nas nossas boas intenções, lá fomos caminhando com muitos sacrifícios pela frente. E em Março de 1967 o Conjunto Flor-de-Lis fez a sua estreia no salão da Casa do Povo de Ronfe. A aderência de pessoas foi enorme, tivemos de actuar nessa noite de sábado com o salão e parte do palco cheios de gente, e mesmo assim não conseguiram entrar metade das pessoas, razão porque no Domingo á tarde voltamos a actuar com salão e palco de novo com muita gente. Foi bonito de ver, grande foi o incentivo que recebemos, e todos ficamos satisfeitos e com muito ânimo para seguir em frente. Não se esqueçam os mais novos que lerem este historial do grupo, que já lá vão 43 anos, e esse tempo não tinha qualquer tipo de comparação com os dias de hoje. Se hoje damos a impressão que somos ricos (sendo pobres), nessa altura éramos realmente pobres, sem condições de dar a ideia de que éramos ricos. Após este êxito brilhante, aqueles que até aí não acreditavam ou tinham dúvidas, sobre as nossas intenções, passaram do pessimismo ao optimismo, e felizmente foram a partir daí uma grande ajuda para que o grupo, assim de mãos dadas tivesse um êxito  cada vez maior. Todos os elementos que fazíamos parte do grupo decidimos que as receitas dos nossos espectáculos seriam sempre e só para investir nos escutas mais jovens, que tinham falta de material de campo, e (como a maior parte das famílias) o nosso Agrupamento também era pobre. Nós fomos felizes na aposta que fizemos por várias razões. 1º Porque conseguimos preencher muito bem o nosso tempo contribuindo com o nosso esforço para servir o C.N.E.
2º Se já éramos amigos, a partir dessa data cimentamos ainda mais a nossa amizade.
3º Conseguimos ajudar outros jovens a crescer no mesmo ideal, com melhores condições materiais, e a sentirem também o gosto pela música, continuando a manter o grupo com o mesmo nome e com alguns estilos diferentes como é próprio da evolução dos tempos, e ao gosto dos seus intervenientes dentro do nosso agrupamento.
4º Hoje sentimos um enorme orgulho em havermos contribuído com a nossa ajuda para bem do escutismo da nossa Região. Foi mais uma chamada para outros jovens, que não sendo escuteiros apareciam nas nossas festas dando-nos o seu apoio material e humano.
5º Criamos em Ronfe e freguesias vizinhas uma empatia muito grande entre as pessoas que não só nos incentivavam, como convidavam para novos espectáculos ajudando-nos financeiramente. 
6º Conseguimos hoje compreender melhor o valor do trabalho que fizemos para nós e para os outros sem esperar qualquer tipo de recompensa. Por tudo isto, pelos grandes sacrifícios que por vezes tivemos de passar, alguns dos quais me dispenso de mencionar para não ferir a sensibilidade de ninguém, não tenho dúvidas que valeu a pena ser e continuar a ser escuteiro. Resta-me deixar aqui publicamente um agradecimento ao bom povo de Ronfe, e a tantos outros que nos ajudaram, pedindo-lhes para que continuem a apoiar os jovens de hoje que sentem tantas ou mais dificuldades que as do nosso tempo. Este não é um tempo fácil para ninguém, que fará para um jovem que se queira doar em serviço na comunidade. Mas se ele for escuteiro há-de conseguir, tal como nós no passado o conseguimos. A todos esses eu lhes digo, não olhem para trás nem para o lado, sigam em frente porque a vida é passageira, e quando menos pensarmos já estamos perto do fim, e é necessário que façamos algo durante a vida em prol dos outros, para ao chegar á meta podermos dizer valeu a pena, pelo menos tentamos deixar as coisas um pouco melhor.
Não se poderia terminar um historial destes sem um obrigado aos Chefes dessa hora, Sr. Martins (já falecido) e Sr. Abreu, que foi o autor de várias letras, ao nosso Assistente de então Mons. Horácio (já falecido), aos nossos Pais (muitos já falecidos) ao Sr. Alberto Lobo, e tantos outros que anonimamente nos ajudaram, um bem-haja a todos, e que o Senhor nosso Deus que tudo vê, os recompense com paz saúde e amor. Aos que já chamou a si, que os guarde, e lhes dê o descanso eterno no Seu Reino glorioso.

C.D.O.

O meu testemunho e homenagem

Testemunho e homenagem

Nascer para o escutismo aos cinco anos de idade, vestir uma farda de Lobito e pela primeira vez receber Jesus na Comunhão, é coisa que nunca mais se esquece.
A razão de tudo isto deve-se á minha saudosa Mãe que sendo sozinha para me educar teve necessidade de apoio, que veio encontrar no Corpo Nacional de Escutas, para sua e minha felicidade. Aí no Agrupamento nº 5 de Ronfe eu encontrei o pai que nunca tive, de seu nome Chefe Martins. Depois tive a sorte de ter como pai espiritual o nosso Assistente da altura Mons. Horácio, que marcou imenso a minha infância.
Foi tão importante o escutismo, na minha vida, que até hoje já na Fraternidade não o consigo esquecer: E tenho grandes motivos para afirmar o que digo relativamente a esta escola de formação de jovens: Foi aqui que ganhei e aprendi: Ganhei bons amigos, e na hora mais dolorosa que passei, com a morte de minha Mãe, eles estiveram comigo, acompanharam-na até á última morada, rezaram e cantaram comigo, e são coisas que só um ingrato poderia esquecer. De minha Mãe que era pobre recebi uma das maiores riquezas que se pode desejar na vida, educação e respeito pelos outros. Com os meus chefes aprendi a ser um individuo-o alegre, e a estar sempre disponível para servir sem olhar a quem. Do meu Assistente recebi bons exemplos, e muito bons ensinamentos que me ajudaram a crescer na minha fé. E de tal forma fiquei agradecido e satisfeito, que conforme meus filhos foram crescendo incentivei-os, a fazerem parte daquela que havia sido a minha escola.
Graças a Deus por sua livre vontade lá se inscreveram, tendo frequentado o escutismo até chegar a idade do serviço militar. Hoje sinto-me plenamente satisfeito, e estou á vontade para poder afirmar que a minha família ganhou imenso pelo tempo que eu e os meus passamos no escutismo. Que Deus cubra de bênções todos os que militaram e militam no C.N.E. principalmente aqueles que sendo já formados ajudaram e ajudam a formar os seus irmãos. Muito obrigado a todos os que fizeram o favor de serem meus amigos, porque nunca os esquecerei.
Também já comemoramos os cem anos de Escutismo a nível Mundial, fundado por Baden-Powell.
Cem anos de Acampamentos, Amizades, fogos de Conselho, Boas Acções e muitas Aventuras.
Porque vivi intensamente muitas destas coisas neste Movimento, ao qual ainda me sinto ligado agora na Fraternidade. Julgo ser oportuno deixar algo mais que me vai na alma e servirá de reconhecimento e agradecimento por tudo que dele recebi.

Festejamos meus amigos , 100 anos dum Movimento
Que se reparte em amor,  ao longo de todo o tempo
Corpo Nacional de Escutas, Implantado em Portugal
Que fez bem a muita gente, e a mim em especial
Por isso estou a escrever, com a caneta em punho
Para deixar aos mais novos, este meu testemunho
Quando eu tinha cinco anos, era muito pequenito                    
Fui receber a Jesus, já fardado de Lobito
Foi Ronfe que me adoptou, nesses meus tempos primeiros
E muito grato lhe estou, assim como aos escuteiros
Porque sendo minha Mãe, Sozinha para me criar
Precisava de uma escola, para me poder educar
Depois de pensar falou, na escola do C.N.E.
Aonde eu fui colocado, e cresci na minha fé
De Lobito a Explorador, passando pelos caminheiros
Aprendi a conviver, com imensos companheiros
Foi no nosso Agrupamento, onde se aprende e se vive
Que encontrei na minha vida, o Pai que eu nunca tive
Quando minha querida Mãe, disse adeus a esta vida
Eu senti todo o calor, desta família unida
Ao chegaram os escuteiros, que vieram para acompanhar
Muitas eram as pessoas, que se encontravam a chorar
Ao verem tal amizade, em hora de sofrimento
Chegavam os meus irmãos, para me darem alento
Vieram acompanhar, aquela que eu muito amava
E comigo a foram levar, até à última morada


Grande prova de amizade, eu não mais posso esquecer
Guardo-a no coração, toda a vida até morrer


Já lá vão 60 anos, passou minha mocidade
Mas continuo servindo, dentro da Fraternidade

Escuteiro que se preze, sente orgulho de o ser
Vive alegre a vida inteira, do nascer até morrer
                              

                Proseguindo a minha homenagem ao C.N.E.

            (Escrevi duas letras)


Coro

Como é bom ser escuteiro,
como é bom servir e amar
Como é bom viver a vida,  
a sorrir e a cantar
O escuteiro é assim,
vive na paz e no amor
Alegria que lhe vem,
do seu Senhor
I
O escuta inspira confiança,
na boa acção de cada dia
Ele é amigo e delicado,
com seus dotes de magia
Respeitador e obediente,  
e protector dos animais
Com a ajuda do Senhor,  
é puro nas suas acções
           II
O escuta prometeu,
 em seus momentos constantes
Servir a Igreja e a Pátria,
e todos os semelhantes
E ser um leal amigo,
para o homem seu irmão
Com um espírito alegre,
a transbordar o coração

Coro
É tão belo, ser escuteiro,
fazendo, a boa acção
Conquistando, a juventude,
temos, o mundo na mão

I
Clarim, caixas e bandeiras,
escuteiros a desfilar
É a grande escola,
escola de juventude
Que os jovens vêm convidar
II
O escuta é um amigo,
irmão dos outros também é
Por isso junto,  à boa Mãe dos escutas
orgulha-se da sua fé
III
Lei, promessa e princípios,
são a sua condução
Pensando em Deus,
o Senhor da sua vida
Sentem amor no coração
IV
Aquilo que prometeram,
dia a dia é uma luta
Servir a Deus, a Igreja e a Pátria
É o dever do escuta
V
Esta é a minha canção
Vai ficar para recordar
Neste homenagem aos amigos
Que nunca mais vai acabar


O meu agradecimento a Ronfe e ao seu bom povo

 MINHA TERRA
(De Adopção)
Ronfe terra abençoada,
Onde cheguei muito novo
Minha vida foi marcada,
Pela grandeza do seu povo
Um obrigado sincero,
É tudo que sei dizer
A todos que nesta terra,
Me ajudaram a crescer
Para os que ainda vivem,
Paz saúde, e muito amor
Para os que já faleceram,
Que descansem no Senhor
Aqui deixo o meu abraço,
A todos com alegria
Aos escutas meus irmãos,
E a toda a freguesia

                  C.D.O.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Historial da Fraternidade de Ronfe

A fraternidade de Nuno Alvares foi fundada em 1973, e é uma Associação autónoma de âmbito Nacional, sem fins lucrativos, sendo constituída por antigos elementos do Corpo Nacional de Escutas, cuja base está incorporada nos Princípios e na Lei do Escuta.
Tem como finalidade estreitar os laços de amizade vividos ao longo dos anos em que pertenceram ao C.N.E., e através de ocupações de natureza social, de ajuda à comunidade, de dimensão espiritual, de preservação do testemunho no que diz respeito ás tradições da cultura, e em contactos com antigos escutas da região e de outros pontos do País.
Aqui estão muitos dos fundadores deste Núcleo da Fraternidade de Ronfe que contava com cerca de quarenta elementos inscritos, dos quais a maior parte já comemorou trinta anos de vida e de serviço dedicados a esta terra de Ronfe, de cuja população sempre recebeu grande compreensão e ajuda.
É certo que já teve um maior número de inscritos, mas uns já partiram para o eterno acampamento, e outros decidiram pura e simplesmente abandonar a associação, por razões às quais só os mesmos saberão responder, pois cada um é senhor de si mesmo, sendo livre de pensar e agir como muito bem entender.
Lamentamos que tal tenha acontecido, pois todos juntos nunca seríamos demais para dar resposta ás necessidades existentes numa paroquia como a nossa, mas com mais ou menos elementos o nosso Núcleo de Fraternidade sempre foi dando sinais evidentes de vida e de saúde.
Exemplos
Com a preciosa ajuda da população foi criada uma Fanfarra, que os antigos foram tocando durante bastante tempo, e mais tarde foi entregue aos escutas mais novos do nosso Agrupamento, dando-lhes todo o apoio material e humano que nos foi possível, para que a mesma continua-se sendo uma embaixadora da nossa terra, como graças a Deus vem acontecendo.
Estivemos na criação do nosso Orfeão, colaborando e participando com vários dos nossos elementos.
Criamos uma escola de musica, orientada pelo nosso amigo e antigo escuta Sr. José Rodrigues Oliveira, que se deu durante anos, sem procurar retirar qualquer beneficio material, e de onde  alguns dos elementos que continuaram os seus estudos musicais, hoje felizmente animam as nossas Eucaristias dominicais tocando o órgão na nossa Igreja, e ensaiando vários grupos da nossa e de outras terras.
Estivemos na preparação e orientação da festa de cinquentenário do nosso querido Assistente, o saudoso Mons. Horácio de Araújo.
Tomamos a iniciativa de organizar em Ronfe o Ano Santo da Redenção.
Também quando a cerca de um mês tivemos conhecimento que a equipa nomeada na altura para realizar a festa de S. Tiago não a levaria a efeito, mobilizamo-nos e mais uma vez com a preciosa ajuda do bom povo de Ronfe que em nós confiou, e com o empenho de muitos dos seus membros levamos, a efeito a Festa do nosso Padroeiro com todo o brilho, a qual foi preparada em apenas três semanas.
Foi a Fraternidade que após o 25 de Abril (quando tudo parecia ter acabado) se esforçou e felizmente conseguiu manter a tradição do Canto dos Reis porta a porta, não só em Ronfe mas levando-os a outras terras, criando de mãos dadas com o nosso Agrupamento o 1º Encontro de Reisadas com grupos da nossa Freguesia e de terras vizinhas, como Brito, Vermil, e Santa Maria de Airão, que teve na altura um enorme sucesso.
A Fraternidade começou por organizar a Festa de Natal para as nossas crianças com música e momentos de bom humor ao seu gosto. Organizou também a maior festa de Carnaval realizada em Ronfe até aos dias de hoje no Salão Paroquial, com falta de espaço para acomodar a grande multidão de pessoas de Ronfe e de terras vizinhas que compareceram em grande número, num dia de muita neve, e com falta de luz eléctrica, superada com ligação directa á cabine da fábrica do Sr. José Gomes, e Filhas, sem a qual nada conseguiríamos fazer.

Aqui apresentamos um trio de palhaços, Quim da Rosa, Serafim Marques, e Custódio, que depois também apresentaram em várias localidades as suas brincadeiras. Recordo que em determinada altura atuamos em S. Crsitovão, e tinha-mos de estar em Vizela numa oura atuação, mas como já estavamos atrazados, não nos descaraterizamos. Pelo caminho aparece-nos uma procisssão, que trazia muitas crianças na frente, aí tivemos de encostar, e por mais que procurassemos esconder o nosso rosto, não o conseguimos de todo, e o Sr. Padre viu-se e desejou-se para manter as crianças, que irromperam numa gargalhada constante. Isto foi serve apenas para recordar que nesse tempo a Fraternidade tinha muita gente com vida para dar e vender.
Durante vários anos foi a Fraternidade em Ronfe, com a colaboração do nosso Agrupamento,  de muitos paroquianos, e com o apoio da Junta de Freguesia, eque steve nas comemorações do dia Mundial da Criança.
É bom recordar que esta festa do dia Mundial da Criança foi no ano de 1989, e teve várias coisas espectaculares:
Foi preparada com um carinho enorme, recebemos ofertas de vários pontos do País até onde conseguimos chegar com os nossos pobres conhecimentos, desde Guimarães, passando por  Braga, Famalicão, Vila do Conde, Porto, e ainda com a ajuda de muitas casas comerciais incluindo as da nossa comunidade, fomos capazes de levar a efeito a maior festa do Dia Mundial da Criança em Ronfe, para a qual convidamos crianças das catequeses de Vermil e de Brito. Esta festa teve a duração de dois dias, e contou com vários tipos de desporto, tais como atletismo, ciclismo e futebol, tudo isto orientado por vários amigos que a Fraternidade havia convidado para nos ajudarem, e que foram espectaculares no contacto com as crianças pela forma como souberam organizar todas as provas, pois tudo decorreu lindamente. Só para que conste, (e foram muitas centenas) cada criança teve direito a um pacote de Bolachas Maria, e um sumo, ou a um pacote de leite achocolatado, no final das provas, tudo ofertas recebidas.
Na parte da tarde tivemos uma grande sessão de entretenimento no nosso Salão onde não haviam lugares vagos, e muita gente teve de ficar nos corredores.
Aí também pela primeira vez, foram as crianças que prestaram uma homenagem singela mas muito verdadeira, como só as crianças são capazes de fazer, á nossa grande Atleta Aurora Cunha, a quem ofereceram um pequeno troféu, e um ramo de flores. Devo referir com verdade que embora a Aurora nos tivesse dado já muitas alegrias com as suas vitórias, até esse momento, nem a Câmara, nem a Junta de Freguesia se tinham dignado homenageá-la como seria justo. Só as crianças foram capazes de o fazer na hora certa. Mais tarde sim, sempre vieram como seria de esperar as  homenagens, uma das quais está bem patente em Ronfe com o seu nome dado ao Pavilhão, Aurora Cunha.
Também nesta tarde de festa, cada criança recebeu um saquinho com algumas guloseimas, e lanche com bicos de pato fiambre, sumos, tudo quanto a Fraternidade conseguiu junto de muitos dos seus amigos, não esquecendo os balões de várias cores. Já agora gostava de referir, porque são apenas verdades o que escrevo nas minhas recordações. Era nesta altura nosso Assistente o Pe. Joaquim Guimarães, a quem havíamos pedido para fazer um aviso na Igreja, apelando á generosidade de todos, Pais irmãos, e outros familiares ou apenas gente da comunidade para contribuírem nesta festa. Mas o Sr. Pe. Joaquim, disse-nos eu prefiro que sejam vocês a falar sobre o assunto dentro de um pequeno espaço nas missas de sábado e Domingo. E assim sendo fui o indicado pela direcção da Fraternidade para apelar ao coração da nossa gente, fiz o apelo o melhor que pude e soube, e o resultado foi mais que bom. Nas missas de sábado e Domingo  os valorees normalmente rondavam os 25 ou 30 contos, nessa semana renderam apróximadamente  280 contos. Aí mais uma vez constatamos que o nosso povo quando lhes falamos ao coração com verdade, sabe ser extremamente generoso. Já lá vão muitos anos, muitos dos que contribuíram já faleceram. Que o Senhor Deus que disse deixai vir a mim as criancinhas, porque é delas o Reino dos Céus, lhes dê pela sua generosidade para com as crianças a sua recompensa.

 
Foi há sombra da Fraternidade que o Grupo Origens foi criado

Da direita para a esquerda, Nél Andrade, António (doutor) Ilídio, Manuel (maduro) João Gonçalves, Quim da Rosa, Custódio, Josefa, Rosa, e Maria. Não esquecendo outros que ao longo dos tempos também fizeram parte deste grupo durante algum tempo a quem do mesmo modo estamos agradecidos.
De todos os elementos deste grupo é justo destacar o Ilídio que lançou a ideia da sua criação e secundando pelo Nél Andrade, Quim da Rosa e Custódio, convidaram outros amigos e amigas e ao grupo lhe deram uma vida relativamente longa, e com muitos actos de solidariedade dedicados ás crianças aos idosos, e aos doentes, principalmente aos que mais precisam, (lembro aqui as vezes que fomos gratuitamente á casa de Saúde de Nogueiró em Braga) e tantos outros locais espalhados por várias regiões do nosso País, onde sempre colaborou connosco o nosso bom amigo Benardino, cedendo gratutitamente a sua aparelhagem. Importa referir que em primeiro lugar esteve sempre o apoio que este grupo foi dando em todas as solicitações da paróquia, do C.N.E., ou da Fraternidade, colaborando em tudo que fosse para o bem da nossa comunidade. Mas não pensem que sempre foi fácil dentro de um grupo com dez elementos, onde cada cabeça tem sua sentença. Contudo analisando todos os resultados obtidos temos de dizer que foi bom que este grupo tenha existido, para bem de todos os que dele benificiaram, e da nossa própria amizade.
Permito-me endereçar a todos os que neste grupo colaboraram um obrigado muito sincero, por tudo que desinteressadamente ofereceram na sua generosidade. Que o nosso Deus que tudo vê recompense as boas acções de todos vós.
Enquanto teve condições, a Fraternidade organizava para familiares e amigos a passagem de Ano na Sala de Cristo Rei, onde cada um levando de sua casa alguma coisa, partilhava com todos durante umas horas nessa noite. Recordo com saudade, pois sempre conseguimos encontrar aí uma verdadeira amizade entre todos os participantes.
O desempenho da nossa Associação não parou por aqui. Como muitos devem estar recordados antigamente as festas a S. Tiago eram feitas através de nomeações sem falarem com as pessoas, contudo os nomeados sempre iam aceitando e faziam o melhor que podiam para que a festa se realiza-se. Mas apareceu uma vez em que a pessoa que havia sido nomeada entendeu não dever aceitar, e a nossa Fraternidade veio a ser informada de tal atitude a cerca de um mês da sua realização. Reunimos e chegamos á conclusão que a festa não podia deixar de se fazer ou ir para a (barra) como na altura se dizia. logo que tomamos conhecimento, decidimos por mãos há obra, dividimos a freguesia em quatro, criamos os respéctivos grupos dentro da Fraternidade  fizemos o peditório possível só num fim de semana, e com a colaboração de vários amigos da Fraternidade, contando sempre com a generosidade do nosso povo em termos de trabalho para o preparar das flores, asseamentos que eram feitos pelas pessoas, das quais seria injusto não lembrar a grande impulsionadora Lurinda Mota por ser a alma neste tipo de trabalhos. Criaram-se  grupos de senhoras nos lugares  do Monte, Formão, Monte Alvar, Cerdeiras, e Alto de Chuzende, e em três semanas preparamos a festa do nosso Padroeiro, que decorreu muito bem dentro dos condicionalismos de ultima hora.
Na continuação do desempenho da nossa Fraternidade, fomos ao longo do tempo organizando passeios convívio para nós, para os nossos familiares, e para muitos dos nossos amigos e benfeitores. Porque nessa altura não haviam como hoje passeios paroquiais. Mas tivemos o cuidado de em primeiro lugar dar a conhecer aquilo que é nosso. Visita ao Castelo de Guimarães no seu interior, com explicações da sua história. Visita ao Passo dos Duques, também com as devidas explicações, tal como aos museus existentes. Depois voltamo-nos para um melhor conhecimento do nosso País, das suas paisagens, e das suas gentes.
Aproveito para deixar aquitambém uma referência ao presidente em exercicio dos últimos anos Sr. Azevedo, por ter sido sempre em minha opinião um verdadeiro entusiasta dos nossos passeios. 
                                                         Em Fátima
 
 


 

EM SINTRA














EM TOMAR



 

EM PENICHE






 
ALUGUNS PRECALÇOS
AVARIA JÁ PERTO DA SAÍDA PARA ÓBIDOS


EM VISEU


NO JARDIM ZOOLOGICO





































 


 EM CASTELO BRANCO



HORA DE LANCHE EM ABRANTES


EM COIMBRA
 



COIMBRA HORA DE ALMOÇO


VISITATA AO AMIGO Pe. ANTÓNIO
Obrigado Pe. António pelo carinho com que fomos recebidos seja feliz na companhia de todos os seus, paroquianos e até sempre.
 
Estes foram alguns dos locais que nos últimos anos percorremos. Mas a nossa Fraternidade organizou durante vários anos passeios convívios de cinco dias, ao coração do Alentejo e do Algarve que tem paisagens maravilhosas onde encontramos gente muita boa que nos recebeu carinhosamente. Para os que não sabem quero dizer-lhes que durante cinco dias uma vez por ano, sessenta pessoas em média convivemos sempre como uma família, que o digam aqueles que connosco partilharam esses tempos, dos quais já se sentem saudades. Alguns já estão na casa do Pai, e mais que ninguém podem testemunhar o que escrevo, que o Senhor lhes dê descanso eterno. Nestes passeios convívio, éramos nós que cozinhávamos todos os dias o almoço.
Pela manhã cada um tomava o pequeno-almoço como bem entendia, uns ferviam a água e preparavam o café ou chá, outros íamos ao café mais próximo. Findo o tempo para o pequeno-almoço, voltávamos ao autocarro para nos dirigirmos em direcção a outra localidade já previamente destinado. Mas pelo caminho e por volta do meio-dia íamos verificando á passagem qual o local mais apropriado para prepararmos o nosso almoço, que por vezes acontecia um pouco mais tarde do que o previsto, uma vez que nem todos os locais eram apropriados para o podermos confessionar. Devo ainda recordar que antes de chegarmos ao local para confeccionar o almoço, já tínhamos feito as compras de tudo que necessitávamos. Eram trabalhos distribuídos pela maior parte dos participantes, desde fazer compras, ir buscar água, cozinhar, lavar a loiça, deixar o local limpo, arrumar todo o material colocando-o de novo tudo no autocarro. Chegados ao local para descansar, era a hora de montar as tendas para dormir, pois tudo fazíamos a exemplo do que havíamos aprendido no C.N.E.
Em todos os anos, (e foram vários) que optamos por este tipo de passeios convívio, só uma vez tivemos alguns cuidados redobrados durante a noite devido a alguns jovens mais atrevidos que apareceram para chatear, nas imediações do Castelo, na Cidade do mesmo nome. Mas tudo foi prontamente sanado, porque nós ao chegarmos á Cidade  apresentamo-nos na Policia local, dizendo quem éramos e o que pretendíamos, e foi-nos dito que poderíamos acampar no referido local que estava sobre o seu controle, e que durante a noite passariam por lá várias vezes. E como conseguimos enfrentamos a situação no primeiro momento, logo nos apareceu a Policia e a partir daí até chegar a manhã nada mais se passou. Quem dera que hoje ainda fosse possível fazer este tipo de coisas, era sinal que a paz o respeito e a educação continuavam a existir neste País, mas infelizmente já nada disto é possível. Selo-á mais tarde se os jovens de hoje se empenharem em construir uma melhor sociedade para o amanhã.
Como é natural a nossa Fraternidade tem prestado a sua colaboração na ajuda da fundação de novos núcleos, e organizado várias festas comemorativas, Como exemplo = Festa de Beato Nuno a nível regional, orgulhando-nos de sermos um núcleo muito respeitado a nível Regional e Nacional. E em termos de serviço de ordem religiosa devo referir que, quando o nosso Assistente da altura Pe. Joaquim Guimarães, teve necessidade de auxílio para o desempenho de alguns desses serviços, foi na Fraternidade como seria de esperar, que veio encontrou ajuda, a qual ainda hoje se mantêm com o actual Assistente Pe. João Marinho.
São vários os elementos do nosso Núcleo de Fraternidade que servem na Paróquia em diversos sectores, como consta do nosso lema, servir Deus, a Igreja, e a Pátria, sem esperar qualquer tipo de recompensa humana.
Deixo aqui uma resenha daquilo que esta associação ao longo dos anos tem vindo a fazer, e mesmo que muitos de nós pela idade vamos perdendo alguma pujança, fica a garantia da nossa disponibilidade enquanto tiver-mos saúde, para colaborar nos vários eventos organizados nesta terra, principalmente naqueles em que o nosso Agrupamento esteja envolvido.
Mas em consciência não podiamos terminar sem deixar um exemplo, e uma prova de gratidão para com todos os nossos amigos que o Senhor já chamou para o eterno acampamento permitindo-me destacar um dos que desde a sua juventude me marcou pela positiva, de seu nome mais conhecido entre nós pelo (Nel Andrade)  

a quem durante cinco anos comemoramos os aniversários do seu falecimento. Este amigo era-o de verdade, e mereceu estes cinco anos de comemorações por tanto que dedicou ao nosso Agrupamento, por muito que se deu a esta terra, em muitas actividades mais concretamente na alegria que sabia transmitir às crianças e aos idosos, e pela sinceridade e amizade com que tratava aqueles que como eu muito conviveram com ele. Fica também aqui a renovada prova de gratidão para com a sua esposa e filhas, que ao longo da sua vida o ajudaram para que lhe fosse possível servir como sempre serviu esta terra de Ronfe que o viu nascer. Deixamos de comemorar o aniversário do seu Falecimento, mas não o esquecemos, tal como ele o fará em relação a todos nós.
Em resumo, o núcleo da Fraternidade de Ronfe ao longo destes anos tem procurado servir na comunidade como  sabe e pode, contudo teria feito muito mais e melhor, se muitos dos que passaram pelo C.N.E., nesta terra, não se tivessem esquecido da divisa que livremente escolheram de estar sempre Alerta para Servir.
Mas a prova de que estamos cá para dar e durar, esteve na organização do nosso no Trigésimo Aniversário, em parceria com os nossos amigos e irmãos escutas mais novos,
Nesse convívio que lembrava todos esses anos de existência, estiveram connosco vindos de algumas Regiões do País, muitos dos antigos escutas, que fizeram parte do nosso Agrupamento nº 5 de Ronfe, e se associaram à nossa celebração a qual começou num agradecimento a Deus Criador oferecendo-lhe o que temos e o que somos por Maria nossa Mãe, em comunhão com Jesus na Eucaristia, cantada por antigos e novos escutas.
Depois num almoço que juntou cerca de 450 pessoas no nosso Salão Paroquial, foi possível encontrar um enorme entusiasmo, principalmente naqueles que há muito não se viam, e com algumas lágrimas à mistura se abraçavam recordando tempos bem passados na sua Juventude à sombra deste grande movimento que é e será sempre, se Deus quiser, o Corpo Nacional de Escutas.
Nesse dia fizemos um apelo aos que estiveram connosco nas comemorações dos trinta anos, particularmente aos que habitam em Ronfe, mas até hoje não sortiu grande efeito, e já lá vão alguns anos. Mas como a esperança deve ser sempre a última a morrer, aguardamos melhores dias. Fica aqui um apelo aos que por limite de idade deixam o Agrupamento. Inscreve-te na F.N.A., porque com a tua força e o teu entusiasmo poderemos continuar a servir cada vez mais e melhor. Não nos devemos esquecer que escuteiro uma vez,  escuteiro para sempre.
Se assim for, ficaremos muito mais fortes, pois o nosso núcleo precisa de rejuvenescer para dar resposta às necessidades do serviço que sempre será necessário fazer dentro desta comunidade de Ronfe. É impossível terminar este meu recordar sem deixar publicamente um obrigado muito sincero ao actual Assistente Pe. João Marinho, pois sempre que temos necessidade da sua colaboração ele não se poupa a esforços para colaborar connosco.

SEMPRE ALERTA PARA SERVIR