sábado, 19 de novembro de 2011

Na regularidade da vida


Na regularidade da vida

“Deus é um ladrão”

Tem sido sempre assim! A tradição ainda continua a ser o que era.

O ritual é o mesmo todos os anos! Para uns é no dia um de Novembro, dia de “Todos os Santos”. Mas não por ser dia de Todos os Santos, mas sobretudo por ser mais um feriado. Para outros é no dia dois de Novembro o “Dia de fiéis defuntos”, para outros ainda são os dois dias. Mas uma coisa é certa, por esta altura os cemitérios enchem-se de gente, de seres vivos por incrível que possa parecer. Afinal o que levará tantas pessoas a estragarem um feriado, quando há tantos lugares bem mais aprazíveis para passar o tempo e gozar? Porquê gastar tantas flores, algumas demasiado caras mesmo em tempos de crise, quando passados escassos dias estão todas murchas? Para quê gastar tanta cera? Porquê estar junto de uma campa, quando esta nos traz á memória sentimentos tão dolorosos? Terá isto algum sentido? Para alguns não tem mesmo sentido nenhum, e até se calhar é uma perda de tempo. Mas a pergunta impõe-se, será que é mesmo uma perda de tempo? Será que a nossa vida acaba mesmo ali com a morte? Será a morte um ponto final, em que toda a vida acaba ali em pó, ou será antes um, “ Tempo para meditar”ou até se calhar, “ dois pontos”? e o segundo é o mudar de linha, Se tudo acaba ali, na campa, na cova, ou como lhe queiram chamar, será que toda a gente que esteve no cemitério, anda enganada? Li algures que um filosofo materialista, a propósito da morte, não podia ser mais elucidativo.: Vós conheceis o ditado - dizia ele – nove meses são necessários para um homem nascer, mas um só dia basta para ele desaparecer.

Cinquenta anos são necessários para que um homem amadureça; cinquenta anos de trabalhos, de sacrifícios, e de lutas para inclusive deixar vícios que ao longo dos anos foi pessimamente adquirindo. E quando nada lhe resta da sua meninice, e por fim chega á maturidade, não serve, se não para morrer. Era assim que pensava esse filósofo. E se calhar para ele a visita ao cemitério, seria mesmo uma perda de tempo. Mas será que ele tinha razão? Será que o homem é mesmo um ser para a morte? Ou não será antes um ser que caminha para a imortalidade? Eu acredito sinceramente e cegamente que aquilo que Jesus Cristo disse um dia a este respeito não pode de forma alguma cair num saco roto, como é vulgar dizer-se. Ele dizia; “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Mas já agora fica a pergunta; será que acreditamos nisso? Não será também, que muitos dos que se encontram nos cemitérios nesse dia, mais do que motivados por sentimentos de saudade, não estarão lá, se calhar, por sentimentos de remorsos? Será que todas as lágrimas que se derramam neste dia, serão lágrimas de amor, ou não serão, muitas delas, lágrimas de crocodilo? Se muitos dos nossos mortos se pudessem levantar, ao ver muitos que agora se encontram ao lado das suas campas, não diriam de dedo em riste: Tu? O que fazes aqui? Por que te encontras agora a meu lado. Durante a vida nunca soubestes estar perto de mim, quando precisei de ti?

Tu aqui? A chorar? Porque choras por mim, agora, se em vida, só me soubestes desprezar?

Porque me dás agora flores se em vida só me destes espinhos? Sim, não estarão nos cemitérios no dia dos defuntos, muitos a chorar, lágrimas de remorsos? Infelizmente tudo é possível! Os anos que graças a Deus já levo de vida fazem me ver muitas destas coisas. Mas também penso que embora alguns se deslocando aos cemitérios eventualmente imbuídos destes sentimentos, também lá está uma grande maioria por amor, por fé, e por causa da esperança que os anima? Eu estou plenamente convencido que sim. Acredito mesmo, que muitos ao estar ali, no cemitério, de pé, muitas vezes ao frio, á chuva, é uma forma de manifestar o seu amor que não morre apesar de tudo, apesar da morte que nos separou dos nossos entes queridos, e é uma forma, estou certo, de também dizerem que acreditamos que a vida não acaba ali. Sim meu bom amigo que fazes o sacrifício de ler este meu escrito, a morte não pode acabar assim, ali numa cova escura. Não, não pode acabar ali assim. A nossa vida tem mesmo que ter outro sentido! Só que nem sempre é fácil descobri-lo! Assim como não é fácil descobrir as estrelas se não houver claridade, ou quando se perde o “sol”. Há uns tempos atrás ouvi de um sacerdote dizer que ao entrar na casa de uma família enlutada, para fazer o levantamento de um defunto, alguém, dentro da casa que se encontrava junto à urna, onde o cadáver se encontrava em câmara ardente lançou um grito de revolta logo que o viu chegar, e disse! Deus é um ladrão, senhor padre! Deus roubou o meu filho! Esta Mãe lança assim este grito, provocando à sua volta um silêncio de morte! Um pouco desconcertado por esta resposta que, embora compreensível choca sempre, o padre aproximou-se, e disse-lhe tenha coragem, mas não fale assim, desse jeito. Além do mais, você está a dizer coisas que não as está a sentir. Diante da morte fala apenas o silêncio, foi só o que eu consegui dizer, disse-me esse sacerdote. Mas a Mãe retorquiu, não estou a sentir?! Deixe-me senhor padre! É tudo muito bonito! Mas o que eu sei é que ele já não está comigo! E dizia-me o sacerdote que foi assim esta resposta dura fria e amargurada desta Mãe, angustiada, e sobretudo, pela perda de seu filho, em mais um acidente de viação. Pois é meus amigos, quem será capaz de entender o desespero de uma Mãe? Sim estou ciente que todos entendemos, mesmo até para quem tem fé, não é fácil!  Mas também não é impossível! Existia um outro pensador que já dizia: “Se choras por teres perdido o sol. As lágrimas não te deixarão ver as estrelas”. Pois é, estaremos nós atentos às “estrelas” mesmo e sobretudo, quando o sol desaparece do nosso horizonte? Nós, com a nossa presença no cemitério, no dia em que lembrámos os nossos familiares e amigos defuntos, estivemos lá, para quê? Porque Deus é um ladrão, como dizia aquela Mãe..? Para cumprir calendário? Por remorsos? Para chorar apenas? Ou porque temos fé e acreditamos que a vida continua, para além das estrelas, mesmo que momentaneamente tenhamos perdido o “Sol” de vista? Eu creio que sim, e também acredito na palavra de um homem, que veio, das “estrelas” que matou a morte, e que é o SOL, E A LUZ DO MUNDO, como Ele dizia. Se Ele matou a morte e deu vida à vida, acredito, também meus amigos, que este homem – que se chama JESUS CRISTO, não me irá deixar ficar mal! Por isso procuro na medida do possível fazer o melhor que sei e posso para o servir nos irmãos, ao longo desta vida enquanto Ele mo conceder.

Sabes porque escrevi este texto? Porque eu tenho razões objectivas para o fazer falando com toda a sinceridade. Já alguns me ouviram, mas vou repeti-lo hoje porque a minha consciência me diz que o devo fazer. Foi dentro do nosso cemitério que me foi concedida um graça que nunca mais esquecerei até aos últimos dias da minha vida. Só Deus sabe tudo o que fiz durante muito tempo para o conseguir, mas que a minha fraqueza não mo permitia. Então um dia encontrando-me de visita ao cemitério como o faço regularmente, e pensando no que precisava de conseguir, falei aos meus familiares amigos e benfeitores ali sepultados, e coloquei-lhes o meu problema, pedindo-lhes ajuda para a minha necessidade. Porque o fiz? Porque acredito na vida eterna, e sei que eles estão nas mãos de Deus, que não morreram, e onde se encontram me podiam ajudar, na medida em que eu não tinha força capaz para me ver livre duma situação que me prejudicava a saúde. Sabem qual foi o resultado? A partir desse dia sem custo algum, e até aos dias de hoje, (já lá vão dezasseis anos) fiquei livre daquilo que para mim era um mal. Eu desde criança sempre ouvi dizer, e hoje estou muito à-vontade para acreditar, que Deus que tudo vê, e tudo sabe, só nos ajudará, ou permitirá essa ajuda, se cada um de nós tiver feito tudo aquilo que pode fazer, e Ele sabe até onde cada um de nós pode chegar. Se já tivermos feito a nossa parte, e Lhe pedirmos directa ou indirectamente, Ele não nos falta com a Sua ajuda. Se precisas de ajuda, vai com fé ao cemitério, pede, mas antes faz tudo o que podes fazer, porque Deus não faz o que lhe pedes sem que tu faças a tua parte, lembra-te disso. E já agora te deixo a pergunta.

E TU MEU AMIGO? TAMBÉM ACREDITAS NISTO? ESPERO BEM QUE SIM.

N.B

Já desde há alguns anos venho enviando para o jornal partilhar algumas notícias ou reflexões. Umas o director entende dever ser publicadas (algumas foram-no repetidas duas vezes) outras como esta o director entendeu não dever publicar. Em devido tempo dirigi-me ao director nestes termos: Amigo Pe. ….
Levou-me bastante tempo a escrever tudo isto. Não enviei para o jornal pois não sei qual a sua opinião sobre o assunto. Mas gostaria de o ver publicado, se assim não o entender paciência, a minha consciência fica leve.

Como a sua publicação não saiu, nem me foi dada qualquer explicação, ( que como colaborador entendo tinha direito), decidi colocar o texto no meu blogger, pois aqui sou livre de o poder fazer, sem que alguém possa utilizar a censura sobre o que escrevo. Aliás eu  não  pretendi nem pretendo ofender ou ferir alguém), mas apenas avivar consciências,  nada mais.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Grupo Viver com Alegria

Aquilo que para alguns era verdade em poucos anos passou a ser menos verdade.

Grupo Alegria de Viver

Uma obra criada para entreter e servir nesta terra (e não só) os mais idosos e as crianças, não pode acabar. Infelizmente alguns elementos depois de uma já longa caminhada feita de mãos dadas ao serviço dos mais velhinhos e crianças, sem razão aparente e algo que o justificasse decidiram deixar de ensaiar no salão, e passaram a ensaiar na casa de um deles excluindo dois elementos sem lhes dar qualquer justificação. Tão pouco lhes importou acabar com a amizade, que no grupo sempre me pareceu existir, trocando-a por algo que mais sedo ou mais tarde daria em desintegração, como infelizmente veio a acontecer, com muita pena minha. Deus sabe quantas vezes em determinadas alturas, se falou neste pormenor importante, que é a amizade e a solidariedade. É certo que eles ainda continuaram durante algum tempo a servir os que mais precisam, visitando um ou outro Centro de Dia, mas foi sol de pouca dura em termos de união. De nada valeu, que sobre este assunto (amizade e solidariedade) tivéssemos falado muitas vezes quando nos reuníamos para os ensaios, dizendo estamos aqui para criar amizades e não para as destruir, porque foi o mesmo que pregar no deserto. Ultimamente vim a saber que por uma qualquer razão menos aconselhável entre amigos, acabaram definitivamente com o grupo, o que sinceramente nada me surpreendeu. Mas esta obra que havia sido criada no intuito de fazer amigos, não vai acabar. E fica sempre porta aberta, para aqueles que por ventura tenham a humildade de reconhecer o seu erro, não para se humilharem na frente de ninguém, pois todos somos humanos e cair é a coisa mais natural da vida. Espero ter sido muito claro, porque nunca fui, e se Deus quiser nunca serei inimigo de ninguém, tenha ele a opinião que tiver, pois fui devidamente vacinado em criança contra esse mal.

Espero bem que ninguém se tenha esquecido de que ser solidário, é estar disponível para dar sem esperar retribuição.  

C.D.O.