segunda-feira, 9 de julho de 2012

COISAS VÁRIAS


 

Ontem foi mais um dia espetacular, no passeio organizado pela Junta da nossa Vila de Ronfe. O tempo começou por ameaçar e até em alguns casos levar alguns ao desânimo por estar tão adverso para um evento desta natureza. Mas como se diz e com razão, nós não estamos sós, e a prova disso é que quando chegamos a Lamego o Sol abriu e aqueles que o quiseram fazer, puderam usufruir de algum tempo para tomar café e no local ver as maravilhas dessa Cidade. Depois seguimos até á Senhora da Lapa, tivemos chuva durante o trajeto, mas ao chegar fomos abençoados com o desaparecer da mesma. Dirigimo-nos ao Santuário onde foi celebrada a Eucaristia, por todos os Ronfenses, vivos e falecidos, e de tal forma foi participada que já no final o Sr. Reitor do Santuário se regozijou dizendo não ser normal aparecer cristãos tão participativos na Eucaristia. Depois seguimos para o parque onde tudo havia sido previamente organizado com mesas e bancos que foram transportados por elementos jovens que se disponibilizaram para esse serviço. Tínhamos também no local instalada a aparelhagem do grupo musical que havia sido contratado, e que ao entrar no parque nos brindou com música de fundo que sabe sempre bem num momento especial como este. Depois do almoço foi a verdadeira festa e boa disposição de toda uma família unida, com vantagem para as Senhoras na dança, pois os homens (não sei porquê) são muito mesquinhos e demonstram muito pouco à-vontade neste tipo de coisas. Disse-o no local alto e bom som e vou repeti-lo aqui, por vezes eu me sinto envergonhado como homem ao ver tal pobreza neste tipo de eventos, pois o homem tem que demonstrar valer muito mais e não fazer esta triste figura.

Numa palavra os meus parabéns aos organizadores pela surpresa apresentada, que foi o Hino de (ou) a Ronfe que muitos ainda não conheciam, mas que já vagueia na internet e até hoje já foi visitado por mais de 500 pessoas. No local dentro das nossas limitações eu e o Quim da Rosa procuramos dar ao mesmo o melhor que nos foi possível, mas não é nada fácil e só com o quarteto que o gravou será possível demonstrar a meu ver (a maravilha do arranjo) construído pelo amigo JONEL. Bem hajam todos aqueles que se empenharam neste convívio que mais uma vez foi excecional. Tenho pena de não colocar como é normal imagens sobre o mesmo, mas por incrível que possa parecer a máquina fotográfica desta vez ficou em casa por esquecimento. Outros as colocarão dentro de algum tempo para que possam valorizar a verdade das minhas palavras.

Sinto muita pena por nos últimos tempos não poder dizer o mesmo do passeio PAROQUIAL, porque lhe tem faltado a preparação feita com antecedência, e que muita gente jovem poderia e deveria fazer, só que para isso é necessário dar-lhes alguma liberdade e responsabilidade. Ronfe não é nem pode ser só de um ou dois, Ronfe é e tem de ser de todos os Ronfenses, principalmente dos jovens, aliás eu nem concebo isso de outra forma. O, ou os responsáveis máximos da nossa Vila em termos paroquiais, não podem nem devem decidir sozinhos,  porque o eu posso quero e mando já não pode existir, é necessário partilhar, e só assim seremos capazes de conseguir o mesmo sucesso dos passeios organizados pela Junta da nossa Vila de Ronfe. Esta é a versão da maioria dos que nele participam.

Sobre o que eu apelido do posso quero e mando, acho muito mau que ele ainda tei-me em existir numa qualquer paróquia, mas muito menos na de Ronfe que conheço como as minhas próprias mãos. Atitudes destas são reprováveis a todos os niveis, a politica de uma comunidade tem que ser a de todos por um e um por todos procurando remar no mesmo sentido, por muito forte que seja atormenta, e só assim a conseguiremos vencer.

Vou deixar alguns exemplos das mágoas que sempre vamos sentindo, quando somos atingidos na nossa dignidade. É preciso não esquecer que felizmente para mim e para aqueles que procuro servir com amor e sem interesse nesta comunidade, já lá vão 35 anos de voluntáriado em muitas areas principalmente na Igreja.

A nossa comunidade passou longos anos (sem necessidade) por ter que pedir ou alugar, mesas e bancos, para qualquer evento de maior relevo organizado pela paroquia, que impunha a muitos de nós todo um trabalho desnecessário que dava para uns quantos entre os quais me incluo de carregar e descarregar esses materiais, passando ainda por ter que pedir transporte para os mesmos que normalmente nos vinha através do Sr. David Santos. Depois de tanto insistir em reuniões de Conselho Permanente do qual fiz parte durante vários anos, um dia farto de falar no assunto numa dessas reuniões disse aos presentes, hoje vou falar novamente em algo que não mais voltarei a falar, sobre a necessidade de obtermos bancos e mesas para não mais andar a pedinchar, ou a alugar. Nesse momento o presidente disse, tem razão já falou nisso várias vezes, não se fala mais, trate desse assunto. A partir daí pedi ao Sr. Pinheiro que tem sido ao longo dos anos o bombeiro de serviço desta comunidade (em tudo) e ao Sr. Dias para comigo tratar-mos deste assunto. E como sempre mais uma vez eles aceitaram o desafio e Pimheiro tratou de falar na carpintaria do gaipelo (assim conhecida) e conseguimos 24 mesas de contraplacado marítimo com 2,5 metros de comprimento e 80 cm de largura cada, por um preço de amigos. Depois fomos a vários espaços comerciais como sejam Continente, Bolama, Deborla, e outros que agora não me recorda para comprar os bancos. Em cada uma desta casas o preço rondava os 5,00 Euros cada. Decidimos então ir um dia perto da Torreira a uma outra grande casa de materiais de Campismo, e lá encontramos cada banco ao preço mínimo de 2,75 Euros. Encomendamos 300 bancos e na semana seguinte fomos busca-los na carrinha do Sr. Pinheiro que os transportou, sem qualquer tipo de custos para a comunidade. As mesas foram todas tratadas em minha casa com a ajuda do meu filho Rogério, e do Sr. Pinheiro. Demos-lhe o tratamento devido para sua conservação, e só Deus e cada um de nós sabe o trabalho que voluntariamente fizemos em prol da comunidade. Depois tratamos com o Sr. Nogueira para fazer os suportes em ferro que eu e o Rogério pintamos, assim como uma letra R em cada banco. Já com tudo em ordem, na reunião seguinte do Conselho Paroquial falamos da necessidade de arranjar dois responsáveis para ceder emprestar ou alugar este material, (criando uma regra para manter a conservação do mesmo) o que em minha opinião poderia ter ficado logo resolvido (mas não) porque por algum tempo poderiam os que trataram de arranjar o dito material ficar responsáveis, ou então entregar essa responsabilidade aos que mais de perto trabalhavam com o presidente que seriam os sacristãos e depois veriamos. se ouvesse necessidade de alterar o sistema. Mas nada ficou decidido e até aos dias de hoje o único responsável foi sempre aquele que quis ter tudo em suas mãos e decidir á sua maneira sem dar cavaco a ninguém. Mas hoje que uma boa parte das mesas estão em mau estado e mais de quarenta bancos partidos, se lhe perguntar pelas mesas ou pelos bancos a maior parte do material não sabe onde está. A minha pergunta é, terá isto alguma lógica? Quem paga este tipo de coisas não são os paroquianos? Na altura falamos aos responsáveis pela Junta da nossa Vila que se não estou em erro nos deu 150 euros, tive ainda a promessa do Sr. Luis Gonçalves que me garantiu que o Banco sediado em Ronfe com os quais tinha vários cunhecimentos nos conseguiria também uma ajuda, que passados estes cerca de seis anos ainda esperamos. Dpois de tantos trabalhos voluntários, ao ver agora o material em pessimas condições e sem se saber ao certo por onde anda, haverá ainda vontade para trabalhar? Eu fui obrigado a viver muitos anos em ditadura, mas não me lembro de ser tão mal tratado no fim de tanto serviço prestado.

Recordo que em determinada altura disse ao presidente, o senhor não pode nem deve ter tudo em suas mãos, deve delegar numa equipa da sua confiança parte destes serviços, e apenas supervisionar, e se vir que as coisas não estão bem deve chamar atenção e colocar as coisas em seu devido lugar. Se a equipa não servir terá que arranjar outra e ponto final. Mas foi chover no molhado, porque até hoje não ligou, e isto é muito mau acabando por desmotivar quem voluntáriamente dá a cara pela comunidade. Eu estou a falar nas mesas e nos bancos, mas podia falar no salão, que ficou de ter uma equipa responsável, mas até hoje não foi criada sendo o presidente. o unico responsável. Do mesmo modo penso se poderia falar do Jornal Partilhar, para o qual foi escolhida uma equipa de gente jovem, mas que nunca funcionou porque o presidente entende dever continuar a ser senhor absoluto. Também nesta matéria tenho algumas razões de queixa, pois fui durante muitos anos colaborador nas noticias, publicadas no mesmo, quando o presidente se queixava da falta de colaboradores. Mas mais tarde deixou esses mesmos de lado alterando-lhe até os próprios textos sem nada dizer a quem os havia escrito. Nos ultimos tempos (por fazer parte do grupo missionário) procurei abrir um cantinho missionário onde informaríamos a comunidade daquilo que o nosso grupo vai fazendo em nome da mesma, explicando às pessoas dizendo-lhes quem somos e o que fazemos, pois não queremos enganar nem ser enganados, mas o texto por mim escrito não foi aceite (ou melhor não foi publicado) e eu fiquei á espera que o diretor me disse-se as razões mas até este momento nada me disse. Havia escrito um outro artigo de minha autoria sobre o mês das almas para publicação, (primeiro mandei-lho para que o lesse) e depois se acha-se bem o publicasse. Não o publicou, e também não me soube dizer quais as suas razões que o levaram a não publicar. Sendo assim, e porque quem não se sente não é filho de boa gente (e eu sou-o graças a Deus) , decidi a partir desse momento não mais escrever seja o que for para o jornal. A censura para mim existiu no passado, mas pelos vistos para alguns ela continua a existir e eu disse – lho por escrito em determinada altura, ele respondeu-me que não era censura, mas que eu havia sido muito direto e não o devia publicar dessa maneira, contudo o texto sendo direto era educado, porque eu não sei usar meias palavras, digo o que sinto não sou hipócrita, mas sou educado. Por isso terminei a minha participação, pois não vale a pena gastar cera com fraco defunto.

Tenho ainda outras coisas ligadas á igreja de Jesus Cristo a quem venho servindo ao longo dos meus últimos 35 anos nesta comunidade, que são razões de distanciamento do presidente relativamente á minha pessoa que eu desculpo com alguma dificuldade por duas ordens de razão. 1º Cada um é um ser, e não é igual ao outro, e se um é introvertido como será o caso., que só fala quando lhe apetece ou quando lhe convém, mas que a sua posição na paróquia o deve obrigar a ser uma pessoa igual para todos pelo menos no trato. Quanto á privacidade e contactos fora do ambiente comunitário, (ou até em determinadas circunstâncias dentro dele) cada um tem todo o direito de chamar a si apenas aqueles com quem mais simpatiza. Isso é perfeitamente natural. Acresce dizer aqui em abono da verdade que sobre o estudo que fez para ser formado neste ministério dentro da Igreja é muito inteligente e sabe o que diz, e eu como elemento desta comunidade estou-lhe muito grato. 

2º No meu caso eu sou muito mais extrovertido cumprimento a todos e não só alguns. Não do tipo, hoje falo e manhã já não falo, (e isso desilude-me) porque eu não sou capaz de o fazer com ninguém, tão pouco o faço com aqueles que me possam haver prejudicado, que fará aos que são meus amigos e comigo colaboram. E isto dói interiormente, e por vezes eu vou sentindo algum desconforto, no serviço que venho prestando dentro da comunidade. Talvez por isso mesmo já no passado com o outro presidente, e agora com este eu tenha pedido mais que uma vez para ser substituído de alguns serviços que venho voluntariamente prestando na comunidade, mas até ao momento ainda não tive resposta, talvez por não ser fácil encontrar quem se disponibilize todas as semanas a sair de sua casa ir á Igreja buscar e levar a comunhão ao Centro de Dia e a alguns dos nossos doentes. Não falo pelo gasto que cada um possa vir a ter como eu e outros os temos desde longa data, mas sobretudo pela falta de carisma e de fé, para se prestar a um serviço destes, para o qual nem todos tem aptidões.

Eu ainda sou do tempo, e já agora vou contar para que faça parte das memórias futuras, em que chegado com 32 anos da Alemanha onde fui imigrante durante seis anos, entrei na nossa Igreja para a celebração da Eucaristia, e quando da altura das leituras o Mons. Horácio (celebrante) pede para que alguém fosse fazer as leituras, e após a sua terceira ou quarta insistência ninguém se deslocou do seu lugar para o fazer, eu que no momento me julgava um forasteiro pois desde há muito não estava cá, ao ver que ninguém se mexeu, saí do meu lugar e fui fazer aquilo que na Alemanha também fazia com alguma frequência com outros portugueses que mal conhecia. Fiz a 1ª leitura e preparava-me para sair, mas o Mons. que sabia não ter quem fizesse a 2ª leitura deitou-me a mão ao braço e pediu-me para a fazer. Acabada a Eucaristia fui em direção á Casa do Povo com a minha esposa para tomar o pequeno-almoço, e logo que entrei um amigo chamou-me ao lado e disse-me, olha o que te vou dizer não sirva para te desmotivar, mas saí por um lado e tu saíste pelo outro, e quando cheguei cá fora no fim da missa um individuo disse, queres ver que este filho da P… também vem meter-se debaixo das saias do padre? Eu respondi a esse amigo, por favor não me digas quem foi, porque eu prefiro não saber (e até hoje não o sei) mas disse-lhe, fica sabendo a partir deste dia sempre que seja necessário eu estarei lá, aliás é o que venho fazendo desde essa altura até aos dias de hoje. Não me arrependo de o ter feito, nem estou cansado de tal, mas estou como atrás referi desiludido pelo comportamento de alguns a quem vou procurando ajudar. Eu não o faço pelos lindos olhos do Pe. A ou B seja ele quem for, porque se fosse por isso talvez já nem á Igreja ia, mas faço-o pela fé que tenho me foi ensinada, e na qual quero morrer.


 

Muitas outras lamentações iguais ou até superiores eu vou sentindo ao longo dos tempos ligadas ao que voluntariamente vamos fazendo. Tal como atrás referi, nós somos iguais mas diferentes, e por vezes vemos e assistimos a coisas ditas e feitas por muitos irmãos nossos que frequentam a Igreja como nós que deixam muito a desejar, e talvez por isso e por algo que também atrás já referi a diminuição de gente nos atos de culto venham a diminuir. Mas atenção, se tens fé não podes deitar sentido aos que dizem ou fazem coisas que não devem, olha em frente porque segundo a minha fé Deus está sempre presente e vê tudo que fazemos ou dizemos. Confiemos Nele porque sem Ele o mundo será cada vez pior, e no final, (porque esta vida acaba rapidamente) Ele é a única salvação…