segunda-feira, 19 de novembro de 2012


 
 
 
 

 

Para quem nasceu à sombra desta bandeira e ao fim de 65 anos ainda continua ligado à F.N.A

Os 75 anos do Escutismo na Comunidade de Ronfe têm um enorme significado.

Quantos amigos se criaram dentro desta escola, com quantos aprendi a ser homem para servir a Deus e a Pátria, com quantos amigos aprendi a crescer e a orgulhar-me da minha fé. Isto tudo são benefícios recebidos pelos quais fico eternamente grato ao Movimento. Mas nem tudo para mim foram rosas, porque com muito desgosto vi alguns esquecerem-se da escola onde aprenderam, e até ensinaram aos mais novos, mas não frutificaram. Muitas vezes me lembra o Evangelho que nos fala da semente deitada à terra, uma caiu em sítios menos apropriados e não deu fruto. Mas eu espero que lá no seu íntimo, mesmo não tendo até hoje dado sinais mais positivos, se lembrem da escola em que viveram, aprenderam, e ensinaram, e não esqueçam sobretudo os que já partiram para o eterno Acampamento, dos quais sinto imensas saudades, mas acredito que todos estão com Deus em quem sempre acreditaram.

Esta é uma das muitas razões que me levam a colocar no meu blogger, para memória futura várias fotos que obtive no Acampamento por alturas do 75 Anos, onde já tinha alguma da minha semente personalizada numa netinha, que na altura era ainda Lobita.
 
 
Foi assim começamos
 
 Assim vivemos
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Assim terminamos
 
Pelo meio ficou muita dedicação e serviço.
 
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012



Assunto: *DESABAFO*
 

Na fila do supermercado, o homem da caixa diz a uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer os seus próprias sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigos do meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente!
- Você tem razão - responde a senhora idosa - a nossa geração não se preocupou
adequadamente com o meio ambiente.
Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava-as de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de as tornar a utilizar, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no nosso tempo.

Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até ao comércio, em vez de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos de caminhar dois quarteirões.

Mas você tem razão. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente.

Naquele tempo, as fraldas de bébés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e a energia eólica é que
realmente secavam as nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias.

Naquela época só tínhamos uma televisão ou rádio em casa e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha um ecrã do tamanho de um lenço, não um ecrã do tamanho de um estádio; que depois será descartado, e como?

Na cozinha, tínhamos que lavar tudo com as mãos porque não havia máquinas eléctricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para enviar pelo correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não
plástico com bolhas ou pallets de plástico que duram quinhentos anos para se degradarem.

Você está cheio de razão: não havia preocupação com o meio ambiente nessa altura.

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário e natural, e não precisávamos de ir a um ginásio e usar´máquinas para fazer de conta que caminhamos e que também funcionam a electricidade.

Preferíamos caminhar na cidade ou no campo.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente.

Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos e garrafas de plástico que agora envenenam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra.
Abandonamos as navalhas (afiáveis), e agora deitamos fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina deixou de cortar.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época.

Naqueles dias, as pessoas tomavam o autocarro e os meninos iam de bicicleta ou a pé para a escola, em vez de usar a mãe ou o pai como um serviço de táxi 24 horas.

Tínhamos apenas uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é tão engraçado que a actual geração fale tanto no meio ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época?
Mas desculpe caro jovem....Isto foi só um desabafo......
 

terça-feira, 4 de setembro de 2012



PARA MEMÓRIA FUTURA
 



CASA DO POVO








Creio nada ter existido no âmbito cultural e associativo, antes do aparecimento da Casa do Povo. Esta foi fundada no início de 1934. O seu funcionamento e organização inicial, configurava o estatuto de uma associação.
 A nível nacional, as Casas do Povo foram oficialmente criadas em 1933 para apoiar o desenvolvimento do mundo rural, sendo consideradas, segundo a lei, organismos de cooperação social, com personalidade jurídica, tendo por objectivo assegurar aos sócios proteção e auxílio em caso de doença, desemprego, inabilidade e velhice.

 A prioridade de atuação das casas do povo era intervir social e culturalmente junto da população rural, exercendo também funções de previdência, dentro de um esquema de mutualidade, desde que registasse um mínimo de 100 associados.

 O funcionamento deste esquema cooperativo previa ainda os sócios protetores, ou seja, os proprietários rurais da freguesia, a quem cabia patrocinar as iniciativas socioculturais das Casas do Povo e apoiar monetariamente o esquema de previdência vigente.

 Foi nestes moldes que a Casa do Povo de Ronfe, nasceu e exerceu a sua função durante muitos anos.

 Curiosamente, a Casa do Povo, apoiou a fundação do Escutismo na freguesia. Disso, dá conta a ata nº.28, de uma reunião realizada no dia 8 de Agosto de 1935.

 A tradição musical, ainda hoje bem viva, teve a sua origem com a Orquestra de Ronfe, na década de quarenta, apoiada pela Casa do Povo.

 O seu parque, apesar de pequeno, era ao tempo local aprazível. Com frondosas árvores e ruas bem delineadas. Possuía um artístico lago, atravessado por esbelta ponte, obra do Senhor Armindo Silvério Ferreira, mais conhecido por “Armindo dos Infernos”.

O salão da Casa do Povo, foi durante muitos anos, onde o Escutismo local, levou à cena dezenas de peças de teatro, espetáculos musicais e de variedades.

 O cinema, também ali teve lugar durante alguns anos, A prática de Voleibol e Tiro aos Pratos, foram modalidades praticadas no despectivo parque. O Folclore, nasceu ali, e ali morreu num passado não distante, e da forma mais vil.

Custódio Oliveira

Algumas coisas já sabia outras não, contudo sei dizer que minha saudosa Mãe foi socia da Casa do Povo, e o custo do seu funeral foi pago pela Casa do Povo. Conheço como muitos e até melhor que alguns o antigo parque da Casa do Povo, pois vivi com minha Mãe na dita casa dos pobres de quem foi cozinheira durante vários anos. Fui aluno da escola hoje degradada com a bonita e grande Srª Professora Dna. Helena. Recordo que com os meus cinco anos foi ali que tive um dos maiores medos da minha vida quando fomos vitimas de um grande tremor de terra, em que se ouviam as mesas e cadeiras onde os pobres comiam a fazerem um enorme barulho, e minha Mãe me dizia, não tenhas medo meu menino isto passa, e sabe-se lá na altura o enorme medo que ela mesmo sentia. Recordando tudo isto deixo aqui apenas o meu lamento sobre a destruição do excelente parque da dita Casa do Povo, com o corte de árvores centenárias, lamentando nessa altura não ter visto qualquer tipo de preocupação, como infelizmente mais tarde aconteceu com o corte de árvores junto ao cemitério, essas sim que estavam a prejudicar. Agradeço ao Jonel trazer a público este testemunho para que sejam conhecidas e reconhecidas as funções meritórias da instituição. E esquecendo tudo o mais, passado é passado, os atos bons e menos bons ficam sempre com quem os pratica, vamos em frente porque o edifício Casa do Povo e todo o seu historial deve merecer muito respeito aos Ronfenses e habitantes de terras vizinhas. Por isso me regozijo com aqueles que lutando contra tudo e contra todos tornaram possível este volte face, e creio e espero que os que voluntariamente se assumiram para lhe dar vida, sejam bem-sucedidos. No que eu possa contem com minha modesta ajuda sempre pelo bem da comunidade em que desde há muito estou inserido. Parabéns Jonel, grande abraço.

Orlando Azevedo Realmente a memória é como as cerejas: pega-se numa e as outras entrelaçam-se e vêm atrás. A crónica do Custódio trouxe-me à memória situações semelhantes que lá vivi.

Será que existe algum acervo histórico desse tempo? Tenho comigo uma monografia sobre a Vila de Ronfe- escrita há bem pouco tempo, mas desse passado nada reza. É pena. Um povo sem passado, é um povo sem memória, sem referências sem valores.
 Anotei a referência do conterranio e amigo Orlando Azevedo, que tendo lido o meu texto para (Memória futura) lembrou e muito bem que a memória é como as cerejas. Quanto á pergunta sobre o dito cebro histórico, tenho em meu poder um livro  que adquiri editado em 1999 de Ana Silvia Volpi Scott, que nos fala sobre Famílias, Formas de União e Reprodução Social no Noroeste Português, dos (Séculos XVIII e XIX) cuja foto de capa é a entrada para uma quinta (penso eu) ao lado da antiga cadeia que fizeram o favor de destruír. Contudo este livro tem um lindo historial sobre Ronfe que muitos dos filhos desta terra deviam ler para conhecerem parte das suas origens. Como nem todos o obtiveram, logo que me seja possivel escreverei alguns dados históricos do mesmo.
 


 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

COISAS VÁRIAS


 

Ontem foi mais um dia espetacular, no passeio organizado pela Junta da nossa Vila de Ronfe. O tempo começou por ameaçar e até em alguns casos levar alguns ao desânimo por estar tão adverso para um evento desta natureza. Mas como se diz e com razão, nós não estamos sós, e a prova disso é que quando chegamos a Lamego o Sol abriu e aqueles que o quiseram fazer, puderam usufruir de algum tempo para tomar café e no local ver as maravilhas dessa Cidade. Depois seguimos até á Senhora da Lapa, tivemos chuva durante o trajeto, mas ao chegar fomos abençoados com o desaparecer da mesma. Dirigimo-nos ao Santuário onde foi celebrada a Eucaristia, por todos os Ronfenses, vivos e falecidos, e de tal forma foi participada que já no final o Sr. Reitor do Santuário se regozijou dizendo não ser normal aparecer cristãos tão participativos na Eucaristia. Depois seguimos para o parque onde tudo havia sido previamente organizado com mesas e bancos que foram transportados por elementos jovens que se disponibilizaram para esse serviço. Tínhamos também no local instalada a aparelhagem do grupo musical que havia sido contratado, e que ao entrar no parque nos brindou com música de fundo que sabe sempre bem num momento especial como este. Depois do almoço foi a verdadeira festa e boa disposição de toda uma família unida, com vantagem para as Senhoras na dança, pois os homens (não sei porquê) são muito mesquinhos e demonstram muito pouco à-vontade neste tipo de coisas. Disse-o no local alto e bom som e vou repeti-lo aqui, por vezes eu me sinto envergonhado como homem ao ver tal pobreza neste tipo de eventos, pois o homem tem que demonstrar valer muito mais e não fazer esta triste figura.

Numa palavra os meus parabéns aos organizadores pela surpresa apresentada, que foi o Hino de (ou) a Ronfe que muitos ainda não conheciam, mas que já vagueia na internet e até hoje já foi visitado por mais de 500 pessoas. No local dentro das nossas limitações eu e o Quim da Rosa procuramos dar ao mesmo o melhor que nos foi possível, mas não é nada fácil e só com o quarteto que o gravou será possível demonstrar a meu ver (a maravilha do arranjo) construído pelo amigo JONEL. Bem hajam todos aqueles que se empenharam neste convívio que mais uma vez foi excecional. Tenho pena de não colocar como é normal imagens sobre o mesmo, mas por incrível que possa parecer a máquina fotográfica desta vez ficou em casa por esquecimento. Outros as colocarão dentro de algum tempo para que possam valorizar a verdade das minhas palavras.

Sinto muita pena por nos últimos tempos não poder dizer o mesmo do passeio PAROQUIAL, porque lhe tem faltado a preparação feita com antecedência, e que muita gente jovem poderia e deveria fazer, só que para isso é necessário dar-lhes alguma liberdade e responsabilidade. Ronfe não é nem pode ser só de um ou dois, Ronfe é e tem de ser de todos os Ronfenses, principalmente dos jovens, aliás eu nem concebo isso de outra forma. O, ou os responsáveis máximos da nossa Vila em termos paroquiais, não podem nem devem decidir sozinhos,  porque o eu posso quero e mando já não pode existir, é necessário partilhar, e só assim seremos capazes de conseguir o mesmo sucesso dos passeios organizados pela Junta da nossa Vila de Ronfe. Esta é a versão da maioria dos que nele participam.

Sobre o que eu apelido do posso quero e mando, acho muito mau que ele ainda tei-me em existir numa qualquer paróquia, mas muito menos na de Ronfe que conheço como as minhas próprias mãos. Atitudes destas são reprováveis a todos os niveis, a politica de uma comunidade tem que ser a de todos por um e um por todos procurando remar no mesmo sentido, por muito forte que seja atormenta, e só assim a conseguiremos vencer.

Vou deixar alguns exemplos das mágoas que sempre vamos sentindo, quando somos atingidos na nossa dignidade. É preciso não esquecer que felizmente para mim e para aqueles que procuro servir com amor e sem interesse nesta comunidade, já lá vão 35 anos de voluntáriado em muitas areas principalmente na Igreja.

A nossa comunidade passou longos anos (sem necessidade) por ter que pedir ou alugar, mesas e bancos, para qualquer evento de maior relevo organizado pela paroquia, que impunha a muitos de nós todo um trabalho desnecessário que dava para uns quantos entre os quais me incluo de carregar e descarregar esses materiais, passando ainda por ter que pedir transporte para os mesmos que normalmente nos vinha através do Sr. David Santos. Depois de tanto insistir em reuniões de Conselho Permanente do qual fiz parte durante vários anos, um dia farto de falar no assunto numa dessas reuniões disse aos presentes, hoje vou falar novamente em algo que não mais voltarei a falar, sobre a necessidade de obtermos bancos e mesas para não mais andar a pedinchar, ou a alugar. Nesse momento o presidente disse, tem razão já falou nisso várias vezes, não se fala mais, trate desse assunto. A partir daí pedi ao Sr. Pinheiro que tem sido ao longo dos anos o bombeiro de serviço desta comunidade (em tudo) e ao Sr. Dias para comigo tratar-mos deste assunto. E como sempre mais uma vez eles aceitaram o desafio e Pimheiro tratou de falar na carpintaria do gaipelo (assim conhecida) e conseguimos 24 mesas de contraplacado marítimo com 2,5 metros de comprimento e 80 cm de largura cada, por um preço de amigos. Depois fomos a vários espaços comerciais como sejam Continente, Bolama, Deborla, e outros que agora não me recorda para comprar os bancos. Em cada uma desta casas o preço rondava os 5,00 Euros cada. Decidimos então ir um dia perto da Torreira a uma outra grande casa de materiais de Campismo, e lá encontramos cada banco ao preço mínimo de 2,75 Euros. Encomendamos 300 bancos e na semana seguinte fomos busca-los na carrinha do Sr. Pinheiro que os transportou, sem qualquer tipo de custos para a comunidade. As mesas foram todas tratadas em minha casa com a ajuda do meu filho Rogério, e do Sr. Pinheiro. Demos-lhe o tratamento devido para sua conservação, e só Deus e cada um de nós sabe o trabalho que voluntariamente fizemos em prol da comunidade. Depois tratamos com o Sr. Nogueira para fazer os suportes em ferro que eu e o Rogério pintamos, assim como uma letra R em cada banco. Já com tudo em ordem, na reunião seguinte do Conselho Paroquial falamos da necessidade de arranjar dois responsáveis para ceder emprestar ou alugar este material, (criando uma regra para manter a conservação do mesmo) o que em minha opinião poderia ter ficado logo resolvido (mas não) porque por algum tempo poderiam os que trataram de arranjar o dito material ficar responsáveis, ou então entregar essa responsabilidade aos que mais de perto trabalhavam com o presidente que seriam os sacristãos e depois veriamos. se ouvesse necessidade de alterar o sistema. Mas nada ficou decidido e até aos dias de hoje o único responsável foi sempre aquele que quis ter tudo em suas mãos e decidir á sua maneira sem dar cavaco a ninguém. Mas hoje que uma boa parte das mesas estão em mau estado e mais de quarenta bancos partidos, se lhe perguntar pelas mesas ou pelos bancos a maior parte do material não sabe onde está. A minha pergunta é, terá isto alguma lógica? Quem paga este tipo de coisas não são os paroquianos? Na altura falamos aos responsáveis pela Junta da nossa Vila que se não estou em erro nos deu 150 euros, tive ainda a promessa do Sr. Luis Gonçalves que me garantiu que o Banco sediado em Ronfe com os quais tinha vários cunhecimentos nos conseguiria também uma ajuda, que passados estes cerca de seis anos ainda esperamos. Dpois de tantos trabalhos voluntários, ao ver agora o material em pessimas condições e sem se saber ao certo por onde anda, haverá ainda vontade para trabalhar? Eu fui obrigado a viver muitos anos em ditadura, mas não me lembro de ser tão mal tratado no fim de tanto serviço prestado.

Recordo que em determinada altura disse ao presidente, o senhor não pode nem deve ter tudo em suas mãos, deve delegar numa equipa da sua confiança parte destes serviços, e apenas supervisionar, e se vir que as coisas não estão bem deve chamar atenção e colocar as coisas em seu devido lugar. Se a equipa não servir terá que arranjar outra e ponto final. Mas foi chover no molhado, porque até hoje não ligou, e isto é muito mau acabando por desmotivar quem voluntáriamente dá a cara pela comunidade. Eu estou a falar nas mesas e nos bancos, mas podia falar no salão, que ficou de ter uma equipa responsável, mas até hoje não foi criada sendo o presidente. o unico responsável. Do mesmo modo penso se poderia falar do Jornal Partilhar, para o qual foi escolhida uma equipa de gente jovem, mas que nunca funcionou porque o presidente entende dever continuar a ser senhor absoluto. Também nesta matéria tenho algumas razões de queixa, pois fui durante muitos anos colaborador nas noticias, publicadas no mesmo, quando o presidente se queixava da falta de colaboradores. Mas mais tarde deixou esses mesmos de lado alterando-lhe até os próprios textos sem nada dizer a quem os havia escrito. Nos ultimos tempos (por fazer parte do grupo missionário) procurei abrir um cantinho missionário onde informaríamos a comunidade daquilo que o nosso grupo vai fazendo em nome da mesma, explicando às pessoas dizendo-lhes quem somos e o que fazemos, pois não queremos enganar nem ser enganados, mas o texto por mim escrito não foi aceite (ou melhor não foi publicado) e eu fiquei á espera que o diretor me disse-se as razões mas até este momento nada me disse. Havia escrito um outro artigo de minha autoria sobre o mês das almas para publicação, (primeiro mandei-lho para que o lesse) e depois se acha-se bem o publicasse. Não o publicou, e também não me soube dizer quais as suas razões que o levaram a não publicar. Sendo assim, e porque quem não se sente não é filho de boa gente (e eu sou-o graças a Deus) , decidi a partir desse momento não mais escrever seja o que for para o jornal. A censura para mim existiu no passado, mas pelos vistos para alguns ela continua a existir e eu disse – lho por escrito em determinada altura, ele respondeu-me que não era censura, mas que eu havia sido muito direto e não o devia publicar dessa maneira, contudo o texto sendo direto era educado, porque eu não sei usar meias palavras, digo o que sinto não sou hipócrita, mas sou educado. Por isso terminei a minha participação, pois não vale a pena gastar cera com fraco defunto.

Tenho ainda outras coisas ligadas á igreja de Jesus Cristo a quem venho servindo ao longo dos meus últimos 35 anos nesta comunidade, que são razões de distanciamento do presidente relativamente á minha pessoa que eu desculpo com alguma dificuldade por duas ordens de razão. 1º Cada um é um ser, e não é igual ao outro, e se um é introvertido como será o caso., que só fala quando lhe apetece ou quando lhe convém, mas que a sua posição na paróquia o deve obrigar a ser uma pessoa igual para todos pelo menos no trato. Quanto á privacidade e contactos fora do ambiente comunitário, (ou até em determinadas circunstâncias dentro dele) cada um tem todo o direito de chamar a si apenas aqueles com quem mais simpatiza. Isso é perfeitamente natural. Acresce dizer aqui em abono da verdade que sobre o estudo que fez para ser formado neste ministério dentro da Igreja é muito inteligente e sabe o que diz, e eu como elemento desta comunidade estou-lhe muito grato. 

2º No meu caso eu sou muito mais extrovertido cumprimento a todos e não só alguns. Não do tipo, hoje falo e manhã já não falo, (e isso desilude-me) porque eu não sou capaz de o fazer com ninguém, tão pouco o faço com aqueles que me possam haver prejudicado, que fará aos que são meus amigos e comigo colaboram. E isto dói interiormente, e por vezes eu vou sentindo algum desconforto, no serviço que venho prestando dentro da comunidade. Talvez por isso mesmo já no passado com o outro presidente, e agora com este eu tenha pedido mais que uma vez para ser substituído de alguns serviços que venho voluntariamente prestando na comunidade, mas até ao momento ainda não tive resposta, talvez por não ser fácil encontrar quem se disponibilize todas as semanas a sair de sua casa ir á Igreja buscar e levar a comunhão ao Centro de Dia e a alguns dos nossos doentes. Não falo pelo gasto que cada um possa vir a ter como eu e outros os temos desde longa data, mas sobretudo pela falta de carisma e de fé, para se prestar a um serviço destes, para o qual nem todos tem aptidões.

Eu ainda sou do tempo, e já agora vou contar para que faça parte das memórias futuras, em que chegado com 32 anos da Alemanha onde fui imigrante durante seis anos, entrei na nossa Igreja para a celebração da Eucaristia, e quando da altura das leituras o Mons. Horácio (celebrante) pede para que alguém fosse fazer as leituras, e após a sua terceira ou quarta insistência ninguém se deslocou do seu lugar para o fazer, eu que no momento me julgava um forasteiro pois desde há muito não estava cá, ao ver que ninguém se mexeu, saí do meu lugar e fui fazer aquilo que na Alemanha também fazia com alguma frequência com outros portugueses que mal conhecia. Fiz a 1ª leitura e preparava-me para sair, mas o Mons. que sabia não ter quem fizesse a 2ª leitura deitou-me a mão ao braço e pediu-me para a fazer. Acabada a Eucaristia fui em direção á Casa do Povo com a minha esposa para tomar o pequeno-almoço, e logo que entrei um amigo chamou-me ao lado e disse-me, olha o que te vou dizer não sirva para te desmotivar, mas saí por um lado e tu saíste pelo outro, e quando cheguei cá fora no fim da missa um individuo disse, queres ver que este filho da P… também vem meter-se debaixo das saias do padre? Eu respondi a esse amigo, por favor não me digas quem foi, porque eu prefiro não saber (e até hoje não o sei) mas disse-lhe, fica sabendo a partir deste dia sempre que seja necessário eu estarei lá, aliás é o que venho fazendo desde essa altura até aos dias de hoje. Não me arrependo de o ter feito, nem estou cansado de tal, mas estou como atrás referi desiludido pelo comportamento de alguns a quem vou procurando ajudar. Eu não o faço pelos lindos olhos do Pe. A ou B seja ele quem for, porque se fosse por isso talvez já nem á Igreja ia, mas faço-o pela fé que tenho me foi ensinada, e na qual quero morrer.


 

Muitas outras lamentações iguais ou até superiores eu vou sentindo ao longo dos tempos ligadas ao que voluntariamente vamos fazendo. Tal como atrás referi, nós somos iguais mas diferentes, e por vezes vemos e assistimos a coisas ditas e feitas por muitos irmãos nossos que frequentam a Igreja como nós que deixam muito a desejar, e talvez por isso e por algo que também atrás já referi a diminuição de gente nos atos de culto venham a diminuir. Mas atenção, se tens fé não podes deitar sentido aos que dizem ou fazem coisas que não devem, olha em frente porque segundo a minha fé Deus está sempre presente e vê tudo que fazemos ou dizemos. Confiemos Nele porque sem Ele o mundo será cada vez pior, e no final, (porque esta vida acaba rapidamente) Ele é a única salvação…


 


 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Isto teria que acontecer


Um Dia Isto Tinha que acontecer
Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que até hoje tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 60 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustíveis cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego,... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos quaisquer coisa phones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! Que chatice! São betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça! Já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

sábado, 19 de novembro de 2011

Na regularidade da vida


Na regularidade da vida

“Deus é um ladrão”

Tem sido sempre assim! A tradição ainda continua a ser o que era.

O ritual é o mesmo todos os anos! Para uns é no dia um de Novembro, dia de “Todos os Santos”. Mas não por ser dia de Todos os Santos, mas sobretudo por ser mais um feriado. Para outros é no dia dois de Novembro o “Dia de fiéis defuntos”, para outros ainda são os dois dias. Mas uma coisa é certa, por esta altura os cemitérios enchem-se de gente, de seres vivos por incrível que possa parecer. Afinal o que levará tantas pessoas a estragarem um feriado, quando há tantos lugares bem mais aprazíveis para passar o tempo e gozar? Porquê gastar tantas flores, algumas demasiado caras mesmo em tempos de crise, quando passados escassos dias estão todas murchas? Para quê gastar tanta cera? Porquê estar junto de uma campa, quando esta nos traz á memória sentimentos tão dolorosos? Terá isto algum sentido? Para alguns não tem mesmo sentido nenhum, e até se calhar é uma perda de tempo. Mas a pergunta impõe-se, será que é mesmo uma perda de tempo? Será que a nossa vida acaba mesmo ali com a morte? Será a morte um ponto final, em que toda a vida acaba ali em pó, ou será antes um, “ Tempo para meditar”ou até se calhar, “ dois pontos”? e o segundo é o mudar de linha, Se tudo acaba ali, na campa, na cova, ou como lhe queiram chamar, será que toda a gente que esteve no cemitério, anda enganada? Li algures que um filosofo materialista, a propósito da morte, não podia ser mais elucidativo.: Vós conheceis o ditado - dizia ele – nove meses são necessários para um homem nascer, mas um só dia basta para ele desaparecer.

Cinquenta anos são necessários para que um homem amadureça; cinquenta anos de trabalhos, de sacrifícios, e de lutas para inclusive deixar vícios que ao longo dos anos foi pessimamente adquirindo. E quando nada lhe resta da sua meninice, e por fim chega á maturidade, não serve, se não para morrer. Era assim que pensava esse filósofo. E se calhar para ele a visita ao cemitério, seria mesmo uma perda de tempo. Mas será que ele tinha razão? Será que o homem é mesmo um ser para a morte? Ou não será antes um ser que caminha para a imortalidade? Eu acredito sinceramente e cegamente que aquilo que Jesus Cristo disse um dia a este respeito não pode de forma alguma cair num saco roto, como é vulgar dizer-se. Ele dizia; “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Mas já agora fica a pergunta; será que acreditamos nisso? Não será também, que muitos dos que se encontram nos cemitérios nesse dia, mais do que motivados por sentimentos de saudade, não estarão lá, se calhar, por sentimentos de remorsos? Será que todas as lágrimas que se derramam neste dia, serão lágrimas de amor, ou não serão, muitas delas, lágrimas de crocodilo? Se muitos dos nossos mortos se pudessem levantar, ao ver muitos que agora se encontram ao lado das suas campas, não diriam de dedo em riste: Tu? O que fazes aqui? Por que te encontras agora a meu lado. Durante a vida nunca soubestes estar perto de mim, quando precisei de ti?

Tu aqui? A chorar? Porque choras por mim, agora, se em vida, só me soubestes desprezar?

Porque me dás agora flores se em vida só me destes espinhos? Sim, não estarão nos cemitérios no dia dos defuntos, muitos a chorar, lágrimas de remorsos? Infelizmente tudo é possível! Os anos que graças a Deus já levo de vida fazem me ver muitas destas coisas. Mas também penso que embora alguns se deslocando aos cemitérios eventualmente imbuídos destes sentimentos, também lá está uma grande maioria por amor, por fé, e por causa da esperança que os anima? Eu estou plenamente convencido que sim. Acredito mesmo, que muitos ao estar ali, no cemitério, de pé, muitas vezes ao frio, á chuva, é uma forma de manifestar o seu amor que não morre apesar de tudo, apesar da morte que nos separou dos nossos entes queridos, e é uma forma, estou certo, de também dizerem que acreditamos que a vida não acaba ali. Sim meu bom amigo que fazes o sacrifício de ler este meu escrito, a morte não pode acabar assim, ali numa cova escura. Não, não pode acabar ali assim. A nossa vida tem mesmo que ter outro sentido! Só que nem sempre é fácil descobri-lo! Assim como não é fácil descobrir as estrelas se não houver claridade, ou quando se perde o “sol”. Há uns tempos atrás ouvi de um sacerdote dizer que ao entrar na casa de uma família enlutada, para fazer o levantamento de um defunto, alguém, dentro da casa que se encontrava junto à urna, onde o cadáver se encontrava em câmara ardente lançou um grito de revolta logo que o viu chegar, e disse! Deus é um ladrão, senhor padre! Deus roubou o meu filho! Esta Mãe lança assim este grito, provocando à sua volta um silêncio de morte! Um pouco desconcertado por esta resposta que, embora compreensível choca sempre, o padre aproximou-se, e disse-lhe tenha coragem, mas não fale assim, desse jeito. Além do mais, você está a dizer coisas que não as está a sentir. Diante da morte fala apenas o silêncio, foi só o que eu consegui dizer, disse-me esse sacerdote. Mas a Mãe retorquiu, não estou a sentir?! Deixe-me senhor padre! É tudo muito bonito! Mas o que eu sei é que ele já não está comigo! E dizia-me o sacerdote que foi assim esta resposta dura fria e amargurada desta Mãe, angustiada, e sobretudo, pela perda de seu filho, em mais um acidente de viação. Pois é meus amigos, quem será capaz de entender o desespero de uma Mãe? Sim estou ciente que todos entendemos, mesmo até para quem tem fé, não é fácil!  Mas também não é impossível! Existia um outro pensador que já dizia: “Se choras por teres perdido o sol. As lágrimas não te deixarão ver as estrelas”. Pois é, estaremos nós atentos às “estrelas” mesmo e sobretudo, quando o sol desaparece do nosso horizonte? Nós, com a nossa presença no cemitério, no dia em que lembrámos os nossos familiares e amigos defuntos, estivemos lá, para quê? Porque Deus é um ladrão, como dizia aquela Mãe..? Para cumprir calendário? Por remorsos? Para chorar apenas? Ou porque temos fé e acreditamos que a vida continua, para além das estrelas, mesmo que momentaneamente tenhamos perdido o “Sol” de vista? Eu creio que sim, e também acredito na palavra de um homem, que veio, das “estrelas” que matou a morte, e que é o SOL, E A LUZ DO MUNDO, como Ele dizia. Se Ele matou a morte e deu vida à vida, acredito, também meus amigos, que este homem – que se chama JESUS CRISTO, não me irá deixar ficar mal! Por isso procuro na medida do possível fazer o melhor que sei e posso para o servir nos irmãos, ao longo desta vida enquanto Ele mo conceder.

Sabes porque escrevi este texto? Porque eu tenho razões objectivas para o fazer falando com toda a sinceridade. Já alguns me ouviram, mas vou repeti-lo hoje porque a minha consciência me diz que o devo fazer. Foi dentro do nosso cemitério que me foi concedida um graça que nunca mais esquecerei até aos últimos dias da minha vida. Só Deus sabe tudo o que fiz durante muito tempo para o conseguir, mas que a minha fraqueza não mo permitia. Então um dia encontrando-me de visita ao cemitério como o faço regularmente, e pensando no que precisava de conseguir, falei aos meus familiares amigos e benfeitores ali sepultados, e coloquei-lhes o meu problema, pedindo-lhes ajuda para a minha necessidade. Porque o fiz? Porque acredito na vida eterna, e sei que eles estão nas mãos de Deus, que não morreram, e onde se encontram me podiam ajudar, na medida em que eu não tinha força capaz para me ver livre duma situação que me prejudicava a saúde. Sabem qual foi o resultado? A partir desse dia sem custo algum, e até aos dias de hoje, (já lá vão dezasseis anos) fiquei livre daquilo que para mim era um mal. Eu desde criança sempre ouvi dizer, e hoje estou muito à-vontade para acreditar, que Deus que tudo vê, e tudo sabe, só nos ajudará, ou permitirá essa ajuda, se cada um de nós tiver feito tudo aquilo que pode fazer, e Ele sabe até onde cada um de nós pode chegar. Se já tivermos feito a nossa parte, e Lhe pedirmos directa ou indirectamente, Ele não nos falta com a Sua ajuda. Se precisas de ajuda, vai com fé ao cemitério, pede, mas antes faz tudo o que podes fazer, porque Deus não faz o que lhe pedes sem que tu faças a tua parte, lembra-te disso. E já agora te deixo a pergunta.

E TU MEU AMIGO? TAMBÉM ACREDITAS NISTO? ESPERO BEM QUE SIM.

N.B

Já desde há alguns anos venho enviando para o jornal partilhar algumas notícias ou reflexões. Umas o director entende dever ser publicadas (algumas foram-no repetidas duas vezes) outras como esta o director entendeu não dever publicar. Em devido tempo dirigi-me ao director nestes termos: Amigo Pe. ….
Levou-me bastante tempo a escrever tudo isto. Não enviei para o jornal pois não sei qual a sua opinião sobre o assunto. Mas gostaria de o ver publicado, se assim não o entender paciência, a minha consciência fica leve.

Como a sua publicação não saiu, nem me foi dada qualquer explicação, ( que como colaborador entendo tinha direito), decidi colocar o texto no meu blogger, pois aqui sou livre de o poder fazer, sem que alguém possa utilizar a censura sobre o que escrevo. Aliás eu  não  pretendi nem pretendo ofender ou ferir alguém), mas apenas avivar consciências,  nada mais.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Grupo Viver com Alegria

Aquilo que para alguns era verdade em poucos anos passou a ser menos verdade.

Grupo Alegria de Viver

Uma obra criada para entreter e servir nesta terra (e não só) os mais idosos e as crianças, não pode acabar. Infelizmente alguns elementos depois de uma já longa caminhada feita de mãos dadas ao serviço dos mais velhinhos e crianças, sem razão aparente e algo que o justificasse decidiram deixar de ensaiar no salão, e passaram a ensaiar na casa de um deles excluindo dois elementos sem lhes dar qualquer justificação. Tão pouco lhes importou acabar com a amizade, que no grupo sempre me pareceu existir, trocando-a por algo que mais sedo ou mais tarde daria em desintegração, como infelizmente veio a acontecer, com muita pena minha. Deus sabe quantas vezes em determinadas alturas, se falou neste pormenor importante, que é a amizade e a solidariedade. É certo que eles ainda continuaram durante algum tempo a servir os que mais precisam, visitando um ou outro Centro de Dia, mas foi sol de pouca dura em termos de união. De nada valeu, que sobre este assunto (amizade e solidariedade) tivéssemos falado muitas vezes quando nos reuníamos para os ensaios, dizendo estamos aqui para criar amizades e não para as destruir, porque foi o mesmo que pregar no deserto. Ultimamente vim a saber que por uma qualquer razão menos aconselhável entre amigos, acabaram definitivamente com o grupo, o que sinceramente nada me surpreendeu. Mas esta obra que havia sido criada no intuito de fazer amigos, não vai acabar. E fica sempre porta aberta, para aqueles que por ventura tenham a humildade de reconhecer o seu erro, não para se humilharem na frente de ninguém, pois todos somos humanos e cair é a coisa mais natural da vida. Espero ter sido muito claro, porque nunca fui, e se Deus quiser nunca serei inimigo de ninguém, tenha ele a opinião que tiver, pois fui devidamente vacinado em criança contra esse mal.

Espero bem que ninguém se tenha esquecido de que ser solidário, é estar disponível para dar sem esperar retribuição.  

C.D.O.