Da direita para a esquerda = Nel Andrade, António Andrade, José T, Maurício,
Armindo Mano, Custódio, Vitorino Dias, João Castro, Ilídio.
Decorria o ano de 1966 quando alguns de nós pensamos formar um grupo musical ligado ao nosso Agrupamento.
É justo referir que os verdadeiros obreiros deste grupo foram o Ilídio e o Nél Andrade este último infelizmente já falecido, que durante muito tempo no fim dos seus trabalhos se dirigiam á casa do Sr. Alberto Lobo, no lugar do Barreiro, para com ele aprenderem a tocar viola. Começou este grupo por cantar nas festas de campo (Acampamentos) onde éramos muito bem recebidos, e daí a passarmos ás luzes da ribalta foi um pequeno passo. Recordo que ainda antes da nossa estreia, existia dentro do nosso Agrupamento uma ou outra pessoa que não só pensava (mas dizia) que o grupo só serviria para desprestigiar o escutismo, o que para nós era doloroso, pois o nosso objectivo era outro como mais tarde vieram a constatar. E assim com a ajuda e o apoio do Chefe Martins que sempre acreditou em nós e nas nossas boas intenções, lá fomos caminhando com muitos sacrifícios pela frente. E em Março de 1967 o Conjunto Flor-de-Lis fez a sua estreia no salão da Casa do Povo de Ronfe. A aderência de pessoas foi enorme, tivemos de actuar nessa noite de sábado com o salão e parte do palco cheios de gente, e mesmo assim não conseguiram entrar metade das pessoas, razão porque no Domingo á tarde voltamos a actuar com salão e palco de novo com muita gente. Foi bonito de ver, grande foi o incentivo que recebemos, e todos ficamos satisfeitos e com muito ânimo para seguir em frente. Não se esqueçam os mais novos que lerem este historial do grupo, que já lá vão 43 anos, e esse tempo não tinha qualquer tipo de comparação com os dias de hoje. Se hoje damos a impressão que somos ricos (sendo pobres), nessa altura éramos realmente pobres, sem condições de dar a ideia de que éramos ricos. Após este êxito brilhante, aqueles que até aí não acreditavam ou tinham dúvidas, sobre as nossas intenções, passaram do pessimismo ao optimismo, e felizmente foram a partir daí uma grande ajuda para que o grupo, assim de mãos dadas tivesse um êxito cada vez maior. Todos os elementos que fazíamos parte do grupo decidimos que as receitas dos nossos espectáculos seriam sempre e só para investir nos escutas mais jovens, que tinham falta de material de campo, e (como a maior parte das famílias) o nosso Agrupamento também era pobre. Nós fomos felizes na aposta que fizemos por várias razões. 1º Porque conseguimos preencher muito bem o nosso tempo contribuindo com o nosso esforço para servir o C.N.E.
2º Se já éramos amigos, a partir dessa data cimentamos ainda mais a nossa amizade.
3º Conseguimos ajudar outros jovens a crescer no mesmo ideal, com melhores condições materiais, e a sentirem também o gosto pela música, continuando a manter o grupo com o mesmo nome e com alguns estilos diferentes como é próprio da evolução dos tempos, e ao gosto dos seus intervenientes dentro do nosso agrupamento.
4º Hoje sentimos um enorme orgulho em havermos contribuído com a nossa ajuda para bem do escutismo da nossa Região. Foi mais uma chamada para outros jovens, que não sendo escuteiros apareciam nas nossas festas dando-nos o seu apoio material e humano.
5º Criamos em Ronfe e freguesias vizinhas uma empatia muito grande entre as pessoas que não só nos incentivavam, como convidavam para novos espectáculos ajudando-nos financeiramente.
6º Conseguimos hoje compreender melhor o valor do trabalho que fizemos para nós e para os outros sem esperar qualquer tipo de recompensa. Por tudo isto, pelos grandes sacrifícios que por vezes tivemos de passar, alguns dos quais me dispenso de mencionar para não ferir a sensibilidade de ninguém, não tenho dúvidas que valeu a pena ser e continuar a ser escuteiro. Resta-me deixar aqui publicamente um agradecimento ao bom povo de Ronfe, e a tantos outros que nos ajudaram, pedindo-lhes para que continuem a apoiar os jovens de hoje que sentem tantas ou mais dificuldades que as do nosso tempo. Este não é um tempo fácil para ninguém, que fará para um jovem que se queira doar em serviço na comunidade. Mas se ele for escuteiro há-de conseguir, tal como nós no passado o conseguimos. A todos esses eu lhes digo, não olhem para trás nem para o lado, sigam em frente porque a vida é passageira, e quando menos pensarmos já estamos perto do fim, e é necessário que façamos algo durante a vida em prol dos outros, para ao chegar á meta podermos dizer valeu a pena, pelo menos tentamos deixar as coisas um pouco melhor.
Não se poderia terminar um historial destes sem um obrigado aos Chefes dessa hora, Sr. Martins (já falecido) e Sr. Abreu, que foi o autor de várias letras, ao nosso Assistente de então Mons. Horácio (já falecido), aos nossos Pais (muitos já falecidos) ao Sr. Alberto Lobo, e tantos outros que anonimamente nos ajudaram, um bem-haja a todos, e que o Senhor nosso Deus que tudo vê, os recompense com paz saúde e amor. Aos que já chamou a si, que os guarde, e lhes dê o descanso eterno no Seu Reino glorioso.

Se cada homem em idade para o fazer, contribui-se com os dons recebidos para ajudar os outros, principalmente dentro da sua comunidade, tudo seria mais fácil e estaria bem melhor
ResponderEliminarCaro amigo, hoje arranjei um pouco de tempo e tenho vindo a percorrer, sem pressa, a escrita, as historias e os desabafos .... Garanto-lhe que este blog esta inserido nos meus favoritos e prometo que vou estar atento e interessado nos seus escritos e recordações.
ResponderEliminarUm abraço
Sousa
O meu muito obrigado pelas suas palavras. Creia que tudo quanto eu coloquei até hoje neste Blog, foi sempre o coração a falar, seja sobre o que for, mesmo que passe pela critica, que munca será com intenção destrutiva mas sim construtiva. Embora esteja consciente que sózinho não consigo mudar o mundo.
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